Palavras apenas, palavras pequenas, palavras perdidas no espaço-tempo...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Naquela noite fria




Naquela noite fria comecei a pensar em quem sou, analisar minha pequena vida, meus feitos, meus sucessos e tragédias a procura de quem sou, a procura da minha identidade, a procura do meu DNA, do espirito que habita este saco de carne e ossos.

Naquela noite fria percebi que nada tenho, que sozinho estou, aqueles a quem chamava de amigos me largaram ainda no por do sol, quem eu amava e dizia corresponder esse amor agora simplesmente não me ama mais, sou só mais um que passou pela sua vida.

Naquela noite fria notei que meus sonhos caíram aos meus pés, que nunca entraria na faculdade que desejo, que minha casa nunca iria sair do projeto, que meu carro jamais andaria, que eu não teria com quem ter os filhos que eu desejava, e que mesmo se eu obtivesse algum êxito na minha vida ele seria amargo e solitário.

Naquela noite fria em que eu estava encolhido no chão do meu quarto e soltava lágrimas de angustia, eu caia em um túnel negro e sem fim e que no final me apontava uma lamina como saída.

Naquela noite fria eu traçava o caminho por onde acabaria com meu pesar e com as desilusões da minha vida de uma vez por todas.

Naquela noite fria uma gota de sangue apareceu em meu pulso, mas eu ainda não o havia cortado, quando olhei para cima a procura da fonte daquilo me deparei com uma mão ensanguentada e traspassada por um prego, ela estava estendida para mim.

Naquela noite fria percebi que o final do túnel não precisava ser o final de tudo, mas sim um recomeçar em minha vida.