Lá estava o pobre homem pobre
sentado ao banco da pequena delegacia de interior vestido com roupas velhas e
surradas pelo tempo e pela vida dura do trabalhador do campo e com um saco de
pano aos pés de onde saia um barulho intrigante semelhante ao cacarejar de uma
galinha.
Por uma porta lateral entrou uma homem parrudo
de terno fino com alguns papeis enrolados em sua mão, se posicionou a frente do
pobre homem pobre e se apresentou como delegado e lhe disse:
- Bem
senhor, José, não é? Como o senhor deve saber foi acusado de roubar esta
galinha a seus pés, mas não temos provas contra o senhor por enquanto, a menos
que o senhor Gilmar seu acusador diga mais algo importante no depoimento que
está dando ali na sala. – Terminou o
delegado, e olhou para o pobre homem pobre sabendo que aquele caso
provavelmente seria desperdício de seu tempo, pois aquele homem tinha cara de
jamais ter cometido um crime em sua vida.
O
pobre homem pobre nada disse ao delegado, somente consentiu com a cabeça, ele
estava aterrorizado com a situação e tinha muito medo de acabar indo preso,
sabia que não era culpado, mas mesmo assim tinha medo, pois sabia que haviam
muitas pessoas injustas neste mundão.
O
delegado pediu licença ao pobre homem pobre e se retirou novamente a sala ao lado,
enquanto isto a galinha começara mais uma vez a cacarejar compulsivamente,
porque a coitada estava a muito tempo presa naquela sacola, estava cansada de
ficar no escuro e sentir falta de ar, queria se libertar e voltar ao terreiro
de seu dono e se empanturrar da grama verde brotando no chão.
Um velho calvo e barbudo, com roupas
muito melhores que as do pobre homem pobre se retirou da sala ao lado
acompanhado do advogado e saiu da delegacia com um sorriso estampado no rosto
enquanto o delegado dizia a ele:
- Não se
preocupe senhor Gilmar, quando tiver terminado o caso irei lhe informar de qual
será o final dele, e se a galinha for sua poderá vir pega-la amanhã.
O delegado voltou calmamente para
dentro da sua sala sem falar nada com o pobre homem pobre e se recostou na sua
confortável cadeira de couro e começou a refletir sobre os últimos
acontecimentos, aquela não era a primeira vez que ele havia ouvido queixas
ridículas do senhor Gilmar, ele sempre era roubado de coisas que não possuía,
uma vez foi uma cabra, outra um ganso, mas o homem nem tinha onde criar tais
bichos em casa, já o senhor José tinha uma ficha incólume, nunca nem tinha
entrado naquela delegacia, por conseguinte o delegado se decidiu, senhor José
era um inocente, a galinha era sua e o senhor Gilmar era mais um vez um
mentiroso.
O delegado chamou o pobre homem pobre a sua
sala, este se sentou temerosamente em uma cadeira em frente a grande mesa do
delegado, e este lhe disse:
-Senhor
José, pode ficar tranquilo, conclui que a galinha é sua e que o senhor Gilmar é
um mentiroso, pode pegar sua galinha e ir para sua casa - O delegado acompanhou
o agora feliz pobre homem pobre até a porta da delegacia, deu um aperto em sua
mão e lhe desejou um bom dia.
E o feliz pobre homem pobre seguiu
feliz pelas ruas da pequena cidade de interior a caminho de sua casa, com a
galinha na sacola em seu ombro, e está viveu por mais alguns meses sendo feliz
nos verdes pastos de seu dono, até o natal, aonde foi muito bem assada e
servida à família do agora mais feliz ainda pobre homem pobre.
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