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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O caso do pobre homem pobre



                Lá estava o pobre homem pobre sentado ao banco da pequena delegacia de interior vestido com roupas velhas e surradas pelo tempo e pela vida dura do trabalhador do campo e com um saco de pano aos pés de onde saia um barulho intrigante semelhante ao cacarejar de uma galinha. 
             Por uma porta lateral entrou uma homem parrudo de terno fino com alguns papeis enrolados em sua mão, se posicionou a frente do pobre homem pobre e se apresentou como delegado e lhe disse:
- Bem senhor, José, não é? Como o senhor deve saber foi acusado de roubar esta galinha a seus pés, mas não temos provas contra o senhor por enquanto, a menos que o senhor Gilmar seu acusador diga mais algo importante no depoimento que está dando ali na sala.  – Terminou o delegado, e olhou para o pobre homem pobre sabendo que aquele caso provavelmente seria desperdício de seu tempo, pois aquele homem tinha cara de jamais ter cometido um crime em sua vida.
O pobre homem pobre nada disse ao delegado, somente consentiu com a cabeça, ele estava aterrorizado com a situação e tinha muito medo de acabar indo preso, sabia que não era culpado, mas mesmo assim tinha medo, pois sabia que haviam muitas pessoas injustas neste mundão. 
O delegado pediu licença ao pobre homem pobre e se retirou novamente a sala ao lado, enquanto isto a galinha começara mais uma vez a cacarejar compulsivamente, porque a coitada estava a muito tempo presa naquela sacola, estava cansada de ficar no escuro e sentir falta de ar, queria se libertar e voltar ao terreiro de seu dono e se empanturrar da grama verde brotando no chão. 
            Um velho calvo e barbudo, com roupas muito melhores que as do pobre homem pobre se retirou da sala ao lado acompanhado do advogado e saiu da delegacia com um sorriso estampado no rosto enquanto o delegado dizia a ele:
- Não se preocupe senhor Gilmar, quando tiver terminado o caso irei lhe informar de qual será o final dele, e se a galinha for sua poderá vir pega-la amanhã.
            O delegado voltou calmamente para dentro da sua sala sem falar nada com o pobre homem pobre e se recostou na sua confortável cadeira de couro e começou a refletir sobre os últimos acontecimentos, aquela não era a primeira vez que ele havia ouvido queixas ridículas do senhor Gilmar, ele sempre era roubado de coisas que não possuía, uma vez foi uma cabra, outra um ganso, mas o homem nem tinha onde criar tais bichos em casa, já o senhor José tinha uma ficha incólume, nunca nem tinha entrado naquela delegacia, por conseguinte o delegado se decidiu, senhor José era um inocente, a galinha era sua e o senhor Gilmar era mais um vez um mentiroso.
             O delegado chamou o pobre homem pobre a sua sala, este se sentou temerosamente em uma cadeira em frente a grande mesa do delegado, e este lhe disse:
-Senhor José, pode ficar tranquilo, conclui que a galinha é sua e que o senhor Gilmar é um mentiroso, pode pegar sua galinha e ir para sua casa - O delegado acompanhou o agora feliz pobre homem pobre até a porta da delegacia, deu um aperto em sua mão e lhe desejou um bom dia.    
            E o feliz pobre homem pobre seguiu feliz pelas ruas da pequena cidade de interior a caminho de sua casa, com a galinha na sacola em seu ombro, e está viveu por mais alguns meses sendo feliz nos verdes pastos de seu dono, até o natal, aonde foi muito bem assada e servida à família do agora mais feliz ainda pobre homem pobre. 

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